Em 1985 eu tinha 9 anos de idade já possuía o disco mais vendido do mundo, sabia todas as suas letras e coreografias. Treinava em frente ao espelho. Até apresentei algumas no colégio.
Ontem, dia 25 de junho de 2009 o cantor e autor do mesmo disco, Thriller, esse que marcou minha infância e que, de uma forma ou outra despertou meu gosto pela música negra, faleceu em decorrência de uma parada cardio-respiratória em Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos da América, seu país.
Não pretendo fazer mais um post sobre a trajetória de Michael Jackson, menino prodígio e problemático da família de muitos irmãos e que foi maltratado e forçado pelo pai a trabalhar no showbusiness, perdendo assim, a infância e a inocência.
Vocês vão ser soterrados por posts e reportagens do tipo. Na internet, na TV na mídia impressa. …
Eu só queria dizer que, claro que o impacto de sua morte me atingiu, mas, de alguma forma, foi suavizado pelos longos anos que nos mostraram sua franca decadência.
Comecei a lamentar por MJ quando surgiram os primeiros boatos sobre seu envolvimento com pedofilia, seus discos cada vez piores, mal produzidos, suas esquisitices e declarações infelizes.
Percebi que um dos homens mais talentosos e ricos do mundo era total e completamente infeliz.
Que mesmo sendo aclamado como rei do pop, tendo a marca de maior vendagem de discos do mundo, ele não se sentia apropriado, amado e aceito.
Talvez não pelas pessoas que importavam para ele. Sozinho na multidão.
Adorado por milhões e mal-amado por quem realmente importava.
O pobre menino rico.
Talvez ele não quisesse ser pop star. Talvez isso, na cabeça de quem é maluco por fama, dinheiro, poder e badalação seja um absurdo, mas talvez fosse a vontade dele. E precisava ter sido respeitada.
A violência tem várias faces e pode surgir dos lugares mais improváveis, muitas vezes se esconde sob a frase “Eu sou seu pai, eu sei o que é melhor para você”.
Existe um egoísmo implícito nessa frase. Mas que ninguém ousa contestar, não é mesmo?
Micheal era brilhante. Dançarino e cantor fenomenal. Foi talhado para o estrelato, foi fabricado, cada mínimo detalhe, roupa, cabelo, gestos, sorriso…foi tão fabricado e tão modificado que acabou virando um monstro.
Talvez por sentir-se preso em seu próprio corpo. Talvez por querer ser uma outra pessoa. Totalmente diferente, com uma vida e uma história diferentes.
De algum modo eu o entendia. E sentia pena.
A fama cobra um preço cruel: a perda de sua identidade - Estão aí: Britney Spears, Michael Jackson, Elvis, Kurt Cobain e muitos outros ícones que se perderam de si mesmos no limbo do estrelato - para provar tudo isso.
Será que vale a pena? Será que a fama é uma droga que quanto mais consumida mais te afasta da realidade do mundo e de seu verdadeiro eu?
Existe uma dose segura de fama? Qual é a receita?
O que é sucesso, afinal?
Ganhar o mundo e perder sua alma?
RIP MJ.

