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O pobre menino rico

Em 1985 eu tinha 9 anos de idade já possuía o disco mais vendido do mundo, sabia todas as suas letras e coreografias. Treinava em frente ao espelho. Até apresentei algumas no colégio.

Ontem, dia 25 de junho de 2009 o cantor e autor do mesmo disco, Thriller, esse que marcou minha infância e que, de uma forma ou outra despertou meu gosto pela música negra, faleceu em decorrência de uma parada cardio-respiratória em Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos da América, seu país.

Não pretendo fazer mais um post sobre a trajetória de Michael Jackson, menino prodígio e problemático da família de muitos irmãos e que foi maltratado e forçado pelo pai a trabalhar no showbusiness, perdendo assim, a infância e a inocência.

Vocês vão ser soterrados por posts e reportagens do tipo. Na internet, na TV na mídia impressa. …

Eu só queria dizer que, claro que o impacto de sua morte me atingiu, mas, de alguma forma, foi suavizado pelos longos anos que nos mostraram sua franca decadência.

Comecei a lamentar por MJ quando surgiram os primeiros boatos sobre seu envolvimento com pedofilia, seus discos cada vez piores, mal produzidos, suas esquisitices e declarações infelizes.

Percebi que um dos homens mais talentosos e ricos do mundo era total e completamente infeliz.

Que mesmo sendo aclamado como rei do pop, tendo a marca de maior vendagem de discos do mundo, ele não se sentia apropriado, amado e aceito.

Talvez não pelas pessoas que importavam para ele. Sozinho na multidão.

Adorado por milhões e mal-amado por quem realmente importava.

O pobre menino rico.

Talvez ele não quisesse ser pop star. Talvez isso, na cabeça de quem é maluco por fama, dinheiro, poder e badalação seja um absurdo, mas talvez fosse a vontade dele. E precisava ter sido respeitada.

A violência tem várias faces e pode surgir dos lugares mais improváveis, muitas vezes se esconde sob a frase “Eu sou seu pai, eu sei o que é melhor para você”.

Existe um egoísmo implícito nessa frase. Mas que ninguém ousa contestar, não é mesmo?

Micheal era brilhante. Dançarino e cantor fenomenal. Foi talhado para o estrelato, foi fabricado, cada mínimo detalhe, roupa, cabelo, gestos, sorriso…foi tão fabricado e tão modificado que acabou virando um monstro.

Talvez por sentir-se preso em seu próprio corpo. Talvez por querer ser uma outra pessoa. Totalmente diferente, com uma vida e uma história diferentes.

De algum modo eu o entendia. E sentia pena.

A fama cobra um preço cruel: a perda de sua identidade - Estão aí: Britney Spears, Michael Jackson, Elvis, Kurt Cobain e muitos outros ícones que se perderam de si mesmos no limbo do estrelato - para provar tudo isso.

Será que vale a pena?  Será que a fama é uma droga que quanto mais consumida mais te afasta da realidade do mundo e de seu verdadeiro eu?

Existe uma dose segura de fama? Qual é a receita?

O que é sucesso, afinal?

Ganhar o mundo e perder sua alma?

RIP MJ.

Mulheres Possíveis

Ando muito sem tempo. Sério, sorry por isso. Ainda estou formulando um texto legal sobre um certo assunto aí…posto no fim de semana.

Mas enquanto ele não sai, aqui vai um pouco de Martha Medeiros que é sempre genial e cujo texto tem tudo a ver comigo e creio eu, com vocês.

Abraços, saudades

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‘Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails.
Faço ainda, revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!

E, entre uma coisa e outra, leio livros.

Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.

Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro: a dizer NÃO.

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.

Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.

Seu pai e sua mãe acreditem, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

Você não é Nossa Senhora.

Você é, humildemente, uma mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.

Tempo para fazer nada.

Tempo para fazer tudo.

Tempo para dançar sozinha na sala.

Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

Tempo para sumir dois dias com seu amor.

Três dias.

Cinco dias!

Tempo para uma massagem.

Tempo para ver a novela.

Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.

Tempo para fazer um trabalho voluntário.

Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.

Tempo para conhecer outras pessoas.

Voltar a estudar.

Para engravidar.

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.

Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina?

Destina-se há ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.

Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!

Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante’ .

Martha Medeiros - Jornalista e escritora

O não-amor

Já se falou tanto em amor e paixão… Que tal falarmos do que não é amor ???

Se você precisa estar se relacionando com alguém para ser feliz, isso não é amor. É carência.
Se você tem ciúme, inseguranças mil e é capaz de fazer qualquer coisa para manter um relacionamento  mesmo sabendo que não é amado, isso não é amor. É falta de. Falta de amor próprio.
Se você acredita que “ruim com ela(e), pior sem ela(e)”,  que sua vida fica vazia sem essa pessoa; não consegue se imaginar sozinho e é incapaz de ter vida própria ou seja,  existe em função do outro,  isso não é amor. É dependência.
Se você acha que o ser amado lhe pertence; sente-se dono(a) e senhor(a) de sua vida e de seu corpo; não lhe dá o direito de se expressar, de ter escolhas, desejos, sonhos que não sejam iguais aos seus, isso não é amor.  É egoísmo.
Se você não sente desejo; não se realiza sexualmente; prefere nem ter relações sexuais com essa pessoa, porém sente algum prazer em estar ao lado dela, isso não é amor. É amizade. (ou Frigidez.  Consulte um médico)
Se vocês discutem por qualquer motivo; morrem de ciúmes um do outro e brigam por qualquer coisa; nem sempre fazem os mesmos planos, não tem os mesmos valores; discordam em muitas situações; não tem gostos em comum, nem amizades , são incpazes de fazer concessões um pelo outro, mas sexualmente combinam perfeitamente, isso não é amor. É desejo.
Se seu coração palpita mais forte; o suor torna-se intenso; sua temperatura sobe e desce vertiginosamente, apenas em pensar na outra pessoa, isso não é amor. É paixão. (ou medo. ou dor de barriga, sei lá)

O príncipe encantando não existe. E você lutou para deixar de ser a princesa, anos atrás, lembra-se?

Pois é.

(Quem Inventou o amor, me explique por favor - R. Russo -adaptado por mim)

Transamerica - latina

Sou uma observadora do gênero humano. Adoro observar pessoas, comportamentos, manias, aparência. Não em tom de julgamento, mas de análise, absorção e processamento das diferenças entre nós.

Observando, somos capazes de compreender melhor o outro. Analisando, pondo-se no lugar de outrem, exercitamos a humanidade em nós.

Ontem, voltando para a casa, presenciei uma cena curiosa no trem.

Logo ao entrar, dei de cara com um casal diferente. O homem, jovem, pinta de cantor de rap, bem apessoado, estava acompanhado de uma morena alta, vistosa, cabelos negros e lisos compridos, boca carnuda, olhos delineados e com cílios bem longos.

Não pude deixar de reparar (e creio que nem os demais presentes) no generoso decote que usava. Estava bem frio e ela usava uma blusa colante vermelha com um generoso decote que deixava à mostra o belo colo de seios fartos, por cima, um pesado casaco de couro.

Pela altura e proporções exageradas, ficava claro que se tratava de um transex.

Ela estava de mãos-dadas com o companheiro e pareciam felizes.

Foi quando fui surpreendida por sua voz grossa, chamando a atenção de um outro homem.

-O que foi? Eu vi você cutucando o seu amigo e dizendo “olha só esse traveco!” - ela disse

-Eu não fiz nada! Eu fiz alguma coisa? - tentava se justificar o outro.

- Se liga, depois leva uma na cara e vai ter vergonha de ter falar que apanhou de um traveco! Eu não te fiz nada, nem te pedi nada, me deixe em paz!

Depois disso, um silêncio constrangedor.

O suposto preconceituoso desceu na estação, deixando o lugar ao lado do transex, vago, onde me sentei.

Pude observar que ela estava bastante perturbada, os olhos marejados, a boca trêmula, fazendo menção de que iria chorar.

Provavelmente havia se sentido aviltada, envergonhada, espinafrada, marcada.

Estava ali uma cidadã normal, voltando de sua jornada diária de trabalho (ela havia comentado algo sobre situações no escritório) com seu parceiro de relacionamento, (não cabe a nós especular qual o tipo de relacionamento que tem), feliz, provavelmente em dia com suas contas, ou talvez devendo uma coisa aqui e outra ali como todo mundo, não se envolvendo com a vida alheia e de bem com a dela mesma.

Mas é claro que pessoas preconceituosas, pobres de espírito, infelizes, amargas, que devem ter uma vida miserável emocionalmente, que mendigam atenção, a mínima que seja, nem que para isso tenham que envolver uma terceira pessoa em suas conversas para se projetar, de tão míseras, ínfimas, medíocres que são, foram capazes de desequilibrar alguém que, emocionalmente, parecia vulnerável e - porque não? - delicada.

Eu senti pena dela. Sério, senti mesmo. Ela estava agindo pura e simplesmente como uma mulher. Pude entendê-la por isso. Quis se defender porque, é raro encontrar (e talvez não houvesse, nem há, na verdade) alguém que tome duas dores.

Mas ela não queria fazer aquilo, não queria PRECISAR fazer aquilo. Só queria chegar ao seu destino, desfrutar da companhia de seu parceiro, aproveitar a viagem. Só quer viver em paz.

Eu vi que ela ia chorar…uma lágrima estava pronta pra cair. Seu companheiro apertou sua mão e pronto, a lágrima escorreu pela face, desnudando enfim sua fragilidade.

Não me contive, tirei da bolsa um pacote de lencinhos de papel e ofereci a ela.

Ela aceitou, com delicadeza e elegância, sorriu, me agradecendo e me olhando nos olhos.

Houve comunhão, identificação, solidariedade, ali houve, humanidade.

Eu juro que quis falar  - “ninguém merece essa sua lágrima, ninguém merece essa sua demonstração de que se importou ou foi abalada de algum modo” -  mas ao mesmo tempo, tive vontade de falar: chore.

Chore porque ninguém sabe quem é você. O que viveu e enfrentou até aqui. Ninguém conhece suas lutas, internas e externas, ninguém te sustenta, te banca, te nutre.

Então, porque diabos alguém se acha no direito de te julgar?

Mas eu não falei.

Mesmo assim, tenho certeza, absoluta, de que ela era uma garota esperta.

E que havia entendido meu recado.

Rosas selvagens

 

Eu, sincera e verdadeiramente espero que esteja tudo bem. Sério. Espero que você tenha achado seu caminho, que tenha encontrado alguém que te ame - e que você ame de volta, apesar de, para você, isso ser irrelevante - que tenha descoberto o sentido da vida e a salvação nas artes e na poesia, na fruição estética que tanto buscamos, em vão, como todo o resto…

Espero, francamente, que esteja ganhando dinheiro e gozando a vida. A vida, essa vadia infrene, essa algoz monstruosa, essa colombina de humor sombrio que nos faz engasgar com seu confete e que depois nos deixa perdidos, bêbados e sozinhos no salão, depois da festa…

A vida…

Pois é, apareci depois de tanto tempo, “um fantasma infausto de sua vida pregressa” como você gosta de inflar o peito e encher essa sua boca pra falar. Essa sua boca cheia de dentes alvos, que exibe esse seu sorriso ceshiriano, besta, mascarado, blasé. Esse sorriso lindo.

Essa sua boca…

Só passei pra dizer que, enfim, depois de tudo dito, não dito e maldito finalmente acabou. Não resta pedra sobre pedra, literalmente.

Espero que você esteja no controle de suas ações e dessa sua boca.  Veja bem o que você vai me falar…
Sabe, se você estivesse aqui, digo, fisicamente presente, se eu não estivesse feito uma idiota aqui, de pé, na chuva, apertando o botão desta porra de porteiro eletrônico sob o risco de levar um choque, se tivesse culhão o bastante para me olhar nos olhos, eu te diria para sair na chuva e… sentir a brisa.

Porque a chuva, a brisa, ah, seriam coisas concretas, capazes de tocar sua pele, já que memórias…

Memórias, meu amigo, não são reais.

Não há mais nada.

Se você quiser dar uma olhada no terreno onde antes havia nossa casa, bem, deixei um papel com algumas instruções… não sobrou quase nada, você não vai se achar, enfim…

Demoliram a garagem e nosso antigo quarto. Como não retiramos mais nada, e nenhum de nós deu as caras ou mencionou algo à demolidora eles… derrubaram tudo e…

Soterraram.

Soterraram móveis, roupas e tudo mais que havia, mas! Não, não fique triste.

Sobraram algumas fotos e aquele maldito buquê de rosas selvagens para alimentar sua pira funerária…

Porque você não desce? Porque não me olha na cara? Você sempre, sempre saiu pela tangente, nunca enfrentou nada, você…

Você saiu…

Está frio, estou batendo os dentes. E, eu só passei pra deixar alguns papéis e oficializar a condição.

Não há mais nada.

Tchau.

(Conto baseado na canção “Dog Roses” do disco Neptune, da banda britânica The Duke Spirit)

Chamado selvagem

 

Dentro de mim mora um grito…
De noite ele sai com suas garras, à caça
De algo para amar.
Sou aterrorizada por essa coisa negra
Que dorme em mim;
O dia inteiro sinto seu roçar leve e macio, sua maldade.
Nuvens passam e se dispersam.
São estas as faces do amor, pálidas, irrecuperáveis?
Foi para isso que agitei o meu coração?
Sou incapaz de mais compreensão.
E o que é isso agora, essa face
Assassina em seus galhos sufocantes?
O beijo traiçoeiro da serpente.
Petrifica o desejo. Esses são os erros, solitários e lentos,
Que matam, matam, matam.

Sylvia Plath

Happening

 

Eu defino por pessoa do bem, aquela que segura os alicerces da barraca que protege a humanidade.
A mesma que abriga aqueles que querem tocar fogo na lona.

A última fronteira

 

Mulherzinhas modernas se gabam de ter conquistado o mundo: ganham mais do que homens, são PHD’s e  tem MBA’s, carros caríssimos, jóias, sapatos, iates, apartamentos, uma vida social agitadíssima, são cultas, viajadas, vividas, donas do próprio nariz, descoladas, e etc, mas ainda não romperam a última fronteira: não pensam como homens.

E isso, minhas amigas, fode com tudo o que elas conquistaram até hoje.

Porque, o que adianta você estar no topo do mundo se sua cabeça continua no fosso da paranóia eterna?

Sim, porque a mulher ainda não deixou de ser paranóica e provavelmente nunca vai deixar. E queridas, com certeza é isso que as impede de conquistar, finalmente, a supremacia.

Tô afim de lancer um livro, desses vagabundinhos, tipo manuais de auto-ajuda.

Já tenho até o título: “Pense como um Homem - A mulher, rompendo a última fronteira.”

E vai ter dicas práticas, do tipo:

1- Esqueceu de pegar o filho na escola? Não tem problema, fique calma. Você não é uma péssima mãe por isso! Simplesmente estava totalmente aterafada e buscar o filho foi um mero detalhe que passou batido! Fique tranquila, as tias da escola vão ligar pra você e vai ficar tudo bem, ligue o rádio e sintonize uma estação onde o campeonato estadual esteja sendo transmitido.

 

2- Não tem nada pra comer em casa? Também não entre em pânico, apenas chame uma pizza. Tudo bem que ontem e anteontem você também chamou, ao menos varie no sabor. Não pense em calorias muito menos numa dieta saudável. NUNCA. Pense apenas no prazer de saborear a pizza, beber um refrigerante enquanto zapeia feito louca a televisão. E acaba no canal de esportes.

 

3- Ele quer ir ao cinema, ao show ou ao aniversário da sobrinha no sábado? Nem pensar! Sair com as amigas é SA-GRA-DO. Diga pra ele que o relacionamento de vocês não vai dar certo se ele continuar pegando no seu pé sobre suas saídas ao sábados à tarde.

 

4-A casa ta uma zona, as roupas estão todas para lavar, não tem mais nem um copo para beber a porra de uma cerveja no armário? Não esquente a cabeça: saia, compre uma roupa nova, aproveite páre no barzinho lá da esquina e tome uma breja.

 

5- Sua funcionária precisou faltar pelo terceiro dia seguido? Tá folgando. Publique agora um anúncio de emprego para substituí-la.

 

6- Seu colega de trabalho veio com uma calça linda que deixa a bunda dele totalmente aparente. Convide-o para jantar, hoje, aborde-o na máquina de xerox. Não esqueça de elogiar a roupa.

 

7- Viu um Iphone diferente e que custa R$ 20.000,00? Compre, sem culpa.

 

8- Não procure um parceiro muito inteligente ou ele vai acabar pegando muito no seu pé, te desafiando intelectualmente, ou seja, vai te dar mais problemas além de todos os que você já tem no trabalho. Mire nos bonitos e fúteis. Ao menos causam boa impressão entre as amigas.

 

9 - Nunca fale sobre seus sentimentos. Está tudo bem, sempre. E se não estiver, ninguém tem nada a ver com isso, seja firme, resolva tudo sozinha, como uma mulher deve fazer, mesmo que isso te cause um ataque cardíaco.

 

10 - Compre um daqueles aparelhinhos descartáveis para mijar em pé. Incline-se para frente na hora em que for fazer, é importante dar aos demais presentes a impressão de que o seu aparelhinho é MAIOR e melhor que o dos outros. E o chacoalhe, antes de jogar fora. Faça disso um ritual.

 

Vai vender horrores. Literalmente.

Volúpia

…because I love you too much, baby

(PS: Vc consegue sentir a sofreguidão dessas garotas? Eu consigo…)

Means to an end

 

Há 29 anos um jovem inglês, natural de Manchester, se enforcou na cozinha de sua casa em Macclesfield.

Encontraram-no pendurado ao lustre, junto com um bilhete suicida: “Neste exato momento, espero estar morto. Não aguento mais”, enquanto o álbum The Idiot, the Iggy Pop girava, já sem som, no toca-discos.

Ian Kevin Curtis, nasceu em Old Trafford, Manchester, em 1956 e embora tenha sido um aluno brilhante, com grande talento para as línguas e poesia, não demonstrou muito interesse no sucesso acadêmico e planejou ser músico desde a mais tenra idade.

Até alcançar seu objetivo, fez alguns bicos como vendedor de loja de discos e como  funcionário público. Casou-se muito jovem e teve filhos ainda muito cedo, o que, de certa forma também lhe causou muita pressão e culpa posteriormente.

Foi depois de ver uma apresentação dos Sex Pistols em 1976, que Ian decidiu de uma vez por todas que ia ter uma banda a qualquer custo. Foi então que chamou os colegas  Bernard Sumner e Peter Hook, já que os dois já estavam há tempos procurando um vocalista, fez um teste e ganhou o posto e admiração dos colegas por sua voz baixo-barítono.

Os três recrutaram (e rejeitaram) uma sucessão de bateristas até a decisão de aceitar Stephen Morris como o quarto membro da banda, que a princípio se chamou Warsaw, até mudar seu nome para Joy Division, em menção à “Divisão da Alegria”, uma divisão de prostitutas judias que os nazistas mantinham durante a II Guerra, para seu deleite. 

 Ian era francamente germanófilo e no começo a banda enfrentou muita resistência e gerou polêmica devido à acusações de flerte com o nazismo.

Dizem as lendas do rock que foi a persistência de Curtis que garantiu à banda um contrato de gravação com a hoje lendária Factory Records, que na época era uma gravadora de fundo de quintal, pertencente a Tony Wilson.

  Ian convenceu Tony a deixar a banda a tocar “Shadowplay” no Granada Reports — um programa regional de televisão apresentado por Tony que eventualmente apresentava bandas de sucesso na Inglaterra.

 Ao ver a apresentação do Joy Division, Wilson tratou de fechar o melhor contrato de sua vida, que garantiu dinheiro e fama à Factory.

A marca de Ian, além de seu vozeirão grave e retumbante, era sua estranha maneira de dançar, onde na verdade ele reproduzia os movimentos espasmódicos do corpo durante um ataque epilético, já que sofria da doença. 

Aliás, o cantor teve vários ataques durante apresentações. Alguns leves, em que o público não conseguia distinguir epilepsia de esquisitice, e outros, mais graves, onde o show precisou ser interrompido e Curtis levado ao hospital ou ser atendido no palco mesmo, o que aumentou ainda mais a polêmica e a atmosfera soturna que rondava a banda.

A rotina de shows começou a deixá-lo cada vez mais frágil e suscetivel a ataques. Ele começou a tomar medicação pesada para conseguir seguir adiante com seu sonho, sem que a doença o impedisse.

Muitos desses remédios tinham como efeitos colaterais depressão, fobias, perturbações e até dor física.  Eis o porque da maioria das canções de Curtis serem terrivelmente deprimentes, falando de morte, violência, alienação e decadência, em todos os sentidos.

Ian Curtis foi fortemente influenciado pelos escritores William Burroughs, J G Ballard e Joseph Conrad — os títulos das canções “Interzone”, “Atrocity Exhibition” e “Colony” vieram dos três autores, respectivamente.

Ian também foi influenciado por músicos, não menos icônicos como: Lou Reed, Jim Morrison, Iggy Pop e David Bowie.

Joy Division é uma das minhas bandas favoritas e fez parte de momentos importantíssimos de minha vida.

Eu entendo Ian, às vezes. E lamento, por ele não ter aguentado mais.

Lá se foi mais um gênio.

Caminhe em silêncio
Não partas, em silêncio
Veja o perigo,
Sempre o perigo
Falação sem fim
Reconstrução da vida
Não partas

Caminhe, em silêncio
Não vire as costas, em silêncio,
Sua confusão, minha ilusão.
Emoldurando-se em uma mascara de ódio-próprio.
Confronta-se e morre…
Não partas

Pessoas como você acham fácil
Despido para enxergar
Caminhando pelo ar
Caçando pelos rios
Através das ruas
Em cada esquina abandonada tão rápido
Resignado com o devido cuidado
Não partas, em silêncio
Não partas

*Atmosphere

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