Eu, sincera e verdadeiramente espero que esteja tudo bem. Sério. Espero que você tenha achado seu caminho, que tenha encontrado alguém que te ame - e que você ame de volta, apesar de, para você, isso ser irrelevante - que tenha descoberto o sentido da vida e a salvação nas artes e na poesia, na [...]
Posts under ‘Pulp Fictions - pero no mucho’
Rosas selvagens
Mãos atadas
Eu, hoje, me vejo nua, sozinha e fria amarrada com as mãos às costas num quarto escuro.
Eu, que sempre achei um meio pra tudo e em tudo, não vejo nada, me encontro sem jeito e não enxergo caminhos.
Eu, que sempre lutei pelos meus sonhos, hoje só os contemplo e espero, impotente e inerte. Como uma [...]
Sliding doors I
Cenas interessantes do metrô:
Um senhor, muito distinto, de terno e gravata, atendendo ao telefone:
-Alou? Alou? - segura o telefone com a mão direita e com a esquerda cobre o outro ouvido.
-A ligação tá ruim. Quem é? Alou? Ah…oi! A paz do senhor, irmão! Oi..alou? alou? - faz caretas, tira o telefone do ouvido, olha para o visor, [...]
Memento Mori
Outra manhã em São Paulo. O tempo é aquela coisa indefinida: não chove e nem faz sol, de vez em quando um pé de vento desarruma os cabelos, você nunca sabe se leva blusa ou sai só de camiseta, se leva guarda-chuva ou se arrisca a voltar ensopado, se o trânsito vai atrapalhar sua vida ou [...]
La vérité
Duas e meia da manhã e eu aqui. Isso não é lugar para uma moça… ok, soou como algo que minha mãe diria, mas tudo bem. Estou sendo generosa comigo mesma usando o termo ’moça’, claro. Há um espelho na minha frente, e apesar das muitas garrafas coloridas encostadas nele ainda consigo ver meu reflexo. Envelhecido. Patético. Triste. Sorrio [...]
Se cada dia cai…
Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar a luz caída
com paciência.
Pablo Neruda (Últimos Poemas)
Strange Fascination
Sonhei com você noite dessas. Tava tudo muito confuso, assim, sabe como é sonho, né?
Só sei que eu estava divinamente trajada com um mini-vestido preto de seda, um corset e botas de vinil preto que iam até os joelhos e saltos altíssimos, um cabelo do tipo “Tina Turner in a bad hair day” e olhos fortemente pintados de [...]
Encontros celulares I
08:30 - Academia. O celular de Ana toca:
-Alou…alou? Alooou? Ah..
Desliga.
-Que foi? - Pergunta ofegante a colega na esteira ao lado.
-Sei lá, acho que foi engano.
12:00 - Restaurante. O celular de Ana toca:
-Alou?
-Alô…quem é você?
-Como assim quem sou eu? Foi você quem me ligou!
-Você tá saindo com meu marido?
-Como é que é? Quem tá falando?
-Escuta, eu tava olhando [...]
Letargia
Há uma tempestade lá fora. Relâmpagos e trovões, telhas voando, gente correndo e gritando e uma chuva grossa e morna que lava a cidade.
É noitinha e estou sozinha. As luzes apagadas. Sinto o vento gelado que invade o quarto pelas frestas da porta, ouço seu assovio sofrido e aspiro lenta e profundamente o cheiro da água que imediatamente evapora ao bater no asfalto quente de um [...]
Dente cariado (ou fragmentos de uma mente DDA-ísta)
‘Cause I’ve prayed days, I’ve prayed nights
For the lord just to send me home some sign
I’ve looked long, I’ve looked far
To bring peace to my black and empty heart
(The Dancer - PJ Harvey)
Achei um começo de cárie no meu dente. Lá no fundo. Lá atrás, o último do lado esquerdo…ó… dá pra ver? Consigo sentir [...]